segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Coluna Ao Volante - por Zeca - Captur , o Duster chique da Renault


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Confesso que tenho preferência por compactos do que por crossovers, SUVs e utilitários. Mas aqui veio o lindo Captur, que é um crossover que recebeu alguns itens de seu irmão europeu, só que montado na plataforma do Duster.

Na Europa ele é feito sobre a plataforma do Clio, com algumas diferenças em relação ao chassis e também com diferenças em relação a algumas outras características.


 A Renault, ante as preferências do brasileiro por maior altura em relação ao solo e por um grande espaço interno, resolveu montar este carro sobre a plataforma do Duster, com foco em alguns mercados emergentes, como Brasil, Rússia e Índia. Realmente é muito bonito.

 Recebi para teste pelo CarPoint News a versão top de linha e mais cara, a 2.0 16v Intense ,com câmbio automático de quatro velocidades, mas vocês verão abaixo que nem sempre o mais caro e potente é o melhor. Por fora ele realmente nos ”Captura“. Que desenho feito pela Renault, parabéns! 

Gosto muito de design e acho que depois dos italianos, os franceses são os que mais acertam neste quesito.



Ao abrir a porta, me deparo com o rústico acabamento Dacia, não fosse o volante de Clio europeu. Sofisticação passa um tanto quanto distante para um carro de 94 mil reais.
 Um bom exemplo é o acabamento com rebarbas e muito plástico duro.

Sim, é a posição mais alta de dirigir dos crossovers, principalmente pelo ponto H (ponto H, altura entre o assento e o chão, é de cerca de 70 centímetros). Se quiser ver o mundo do alto este, definitivamente, é o seu lugar. Achei os retrovisores pequenos demais, mas contam com regulagem eletrônica . Talvez por isso tragam angulação no espelho.

O carro traz os controles do som atrás do volante, algo característico da Renault e de outras montadoras francesas, mas que nem sempre agrada tanto. Procurei por diversas vezes nele como abaixar o som e mudar a estação de rádio, apesar do antigo e ultrapassado (e lento) sistema Media Nav estar à mão. Passando a marcha à ré, então, há de se ter bastante paciência para uma imagem de linhas estáticas aparecer na central multimídia. Escondidos sob o freio de mão estão controles de velocidade e botão ECO que, na minha opinião, de nada adianta com este câmbio ultrapassado e com inscrições que mais parecem em Braile. Se você não olhar para o painel, nem adianta as procurar olhando em direção à manopla.






O câmbio é muito longo, fazendo o carro gritar nas primeiras marchas. Na troca o giro cai demasiadamente e me senti mais confortável fazendo as trocas sequenciais na alavanca, já que ele não tem trocas atrás do volante por paddles, as famosas borboletas.

Volante só tem regulagem de altura e é preciso tomar cuidado para ele não cair ao destravar a alavanca.
A Renault também traz a velha chave “cartão” do antigo Mégane, ainda mantinha no Fluence, o sedã de luxo da marca por aqui, que dá a certeza de que não se trata de um projeto moderno além do estético. Aliás, o bagageiro tem a mesma capacidade de 437 litros do HONDA HR-V, sendo a única coincidência com o nipônico, infelizmente.

Não há direção elétrica (é eletro-hidráulica), mas há controle de tração e ar-condicionado digital e automático.

O controle de estabilidade e assistência em rampa são itens que compõem o conjunto, aliados aos 4 airbags e ao bom ângulo de entrada e saída. O motor “velho”, F4R, há mais de 15 anos em terras brasilis, tem seu brilho, mas é conhecido por adorar “tomar umas“ a mais. Beberrão, ele também pode ser encontrado ainda no Duster (onde incluo Oroch) e Sandero RS. Repetindo o que vocês já devem saber, são 143 cv a 5.750 rpm e 20,2 kgfm a 4.000 rpm, com gasolina, além de 148 cv e 20,9 kgfm com etanol, nas mesmas faixas de rotação. Em  2.250 rpm, o propulsor já entrega 80% da força total, um  arcaico bloco de ferro fundido e correia dentada denunciam a idade avançada do propulsor e, se abrirem o capô, encontrarão também o jurássico tanquinho de gasolina. Ok temos cabeçote em alumínio. 

Acho o F4R um “velho brilhante”, por ainda demonstrar sua força e durabilidade 20 anos depois do lançamento deste motor, mas convenhamos que já passou a hora de a Renault renovar esse guerreiro francês. Palmas pra ele, mas a hora da aposentadoria chega para todos, a tecnologia está aí para usufruir.

Sinceramente, me senti num Duster mais alto e com roupa chique. Daí o título de hoje deste colunista. Gostei do espaço que a marca oferece aos passageiros que vão no banco de trás e também o espaço dianteiro, mas há falhas. Para quatro adultos é bom, sim, porém um quinto passageiro vai mal acomodado, pois achei o túnel traseiro alto e o porta copos atrapalha nesse quesito. O Zeca sentado atrás do Zeca vai de boa, mas o Zeca atrás de alguém de 1,90m vai justo.



Falta porta garrafas na para quem vai na frente, só tem um e este é raso, a garrafa balança e cai.

Dirigindo pela cidade do Rio de Janeiro, o carro atende às necessidades, vai bem se não houver pressa.

Em curvas mais fechadas, as pesadas e lindas rodas R 17-215 saltitam a dianteira e a direção é um tanto desobediente e barulhenta. 

  
Até fiz um vídeo em movimento dessas barulhos, que pode ser visualizado no link .https://youtu.be/mYTtMUnRtik


Pode-se notar um certo comportamento irregular da direção em curvas mais fechadas. Como me chamou a atenção, procurei donos da versão 1.6, que tem rodas menores, e esses não me relataram tal comportamento nesta versão.Procurei ajuda técnica e, apesar dos seis mil quilômetros, levantamos a hipótese de já ter problemas de bieleta e buchas, também ocasionadas por rodas e pneus muito grandes.
  
Na minha opinião, o Captur já chega defasado em relação aos rivais.Achei as retomadas ruins, a direção eletro-hidráulica pesada e senti trancos da primeira para a segunda marcha, às vezes. Gostaria de testar a versão 1.6 de câmbio CVT, para tirar a má impressão desse conjunto testado.

E assim, sigo... ao volante!

Abraços,
Zeca



ZECA - Carioca da gema, casado e nascido em 70. Uma filha quase jornalista e apaixonado por automóveis,  tecnologia e pelos anos 80.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do CarPOint News
 


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