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As vendas de veículos elétricos e híbridos no Brasil atingiram um novo patamar no primeiro semestre deste ano, impulsionadas pela forte ofensiva de marcas asiáticas. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), os emplacamentos de modelos 100% elétricos saltaram de 30.534 unidades nos primeiros seis meses de 2025 para 90.470 no mesmo período de 2026 – um salto expressivo de 196%. Se somada a expansão de 85% na categoria de híbridos, o cenário consolida o país como um dos principais focos da expansão automotiva chinesa fora da Ásia.
No entanto, por trás do entusiasmo dos consumidores com os preços competitivos e a alta tecnologia, desenha-se uma complexa batalha macroeconômica e tributária. Em análise recente, o economista Charles Mendlowicz, sócio da Ticker Wealth e criador do canal Economista Sincero, jogou luz sobre as engrenagens que movem essa "revolução chinesa" e as controvérsias que cercam a política fiscal do governo federal.
Mudança no imposto de importação redesenha dinâmica do setor automotivo
Em 1º de julho, a alíquota do imposto de importação para veículos elétricos montados no exterior subiu para 35%. O que parecia uma barreira protecionista para defender a indústria nacional, contudo, esconde uma exceção estratégica: o governo renovou as cotas com alíquota zero até o fim de 2026 para veículos que chegam desmontados (CKD) ou semidesmontados (SKD), beneficiando diretamente marcas que finalizam a montagem em solo nacional, como a BYD.
Mendlowicz aponta a dubiedade da medida. “A prorrogação das cotas pelo governo, aprovada pela Câmara de Comércio Exterior (Camex), contrariou os interesses das montadoras tradicionais instaladas no país, representadas pela Anfavea. É a briga do antigo contra o novo", resume o economista.



















