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A K.LUME Consultoria divulga hoje uma análise com números de emplacamentos do segmento de luxo de Carros de Passeio referentes aos volumes totais do ano de 2025.
A leitura do consolidado do mercado de luxo mostra que 2025 terminou maior do que 2024, mas com um detalhe essencial: o crescimento ocorreu mais na concentração de poucos ganhadores e na eletrificação (principalmente PHEV/EV premium) do que por uma expansão orgânica e equilibrada do segmento.
Quando visto só o recorte dos veículos de passeio, o mercado total passou de 51.191 unidades em 2024 para 54.564 unidades em 2025, avanço de 6,6%. “Trata-se de um crescimento respeitável, muito acima do mercado geral (2,4%), mas longe de indicar euforia. O mercado de luxo no Brasil é resiliente, porém seletivo, dependente dos produtos corretos e da capacidade de entrega”, analisa o consultor Milad Kalume Neto.
Quem cresceu e quem perdeu
Na fotografia por marca fica evidente a alta concentração e as alterações na liderança:
· BMW: 16.874 unidades (31% do total), com crescimento de 4,2% ante 2024;
· Mercedes-Benz: 9.731 unidades, retomando a segunda posição e com o incremento de 46,5% nas vendas, sustentado por uma estratégia clara de reposicionamento de marca no mercado;
· Volvo: 9.726 unidades e crescimento de 12,5%, amparado nos veículos eletrificados e por uma estratégia robusta de produto.
“Somando-se estas três marcas, temos 66,3%, praticamente dois terços de todo o mercado de luxo nacional. Incluindo-se Porsche e Audi para fechar o grupo das top 5, chegamos a impressionantes 86,4%. Tal feito aponta características claras deste mercado: tradição, capacidade de escala, rede de concessionárias e consistência de produto”, analisa a consultora automobilística Máia Màrtins.
Por outro lado, algumas marcas caíram em 2025:
· Land Rover: -28,0% (de 4.201 para 3.023)
· Porsche: -11,8% (de 6.276 para 5.535)
· Audi: -10,8% (de 5.905 para 5.268)
De acordo com os sócios da K.LUME Consultoria, não houve diminuição do desejo por determinadas marcas pelo consumidor brasileiro. “O mercado de luxo é complexo e envolve diversos fatores sazonais, como momento da marca no país, mix de produtos, disponibilidade, ciclo de vida de produto, decisões comerciais e estratégicas, publicidade e investimentos. A volatilidade é grande”, aponta Milad.
Os modelos campeões de vendas
Já na análise por modelo, observa-se a robusta quantidade de SUVs, em sua maioria, eletrificados. O mercado brasileiro atualmente conta com quase 45% de participação de SUVs nas vendas de novos e isso não é diferente no mercado premium que, neste caso, observa o tradicional mercado dos sedãs executivos migrando para os SUVs, que trazem mais status, conforto, tecnologia, além de serem de forma habitual, os modelos a trazerem as inovações de cada marca.
Os modelos com maior volume de emplacamentos foram os seguintes:
· BMW X1: 5.368 (+10,8%)
· BMW 320: 4.047 (+11,5%)
· Volvo XC60: 3.515 (+7,5%)
· Volvo EX30: 3.511 (+27,8%)
O EX30 é interessante e ajuda a explicar os motivos de a Volvo voltar a crescer. “Produto correto, com preço adequado e posicionamento agressivo dentro do segmento premium seguidos de uma narrativa de eletrificação que o público geralmente entende”, acrescenta Milad.
A análise sobre as versões, por sua vez, indica a preferência do brasileiro pelos modelos eletrificados, em especial os híbridos plug-in, embora os dois campeões de vendas da BMW mantenham motores só a combustão:
· BMW X1 S20I M Sport: 4.028
· BMW 320i M Sport Flex: 3.397
· Volvo EX30 E60 Ultra: 2.017
· Volvo XC60 T8 Ultra: de 3 para 1.331
· BMW X5 xDrive50e: de 9 para 1.159
“O crescimento não ocorreu apenas no luxo tradicional conhecido das últimas décadas, mas chegou também por intermédio de um novo consumidor, ainda tradicional, mas disposto a pagar mais para adquirir mais potência, tecnologia, status e eficiência, ainda que o Brasil não seja o melhor país em relação a infraestrutura de recarregamento”, aponta Máia Màrtins.
As chinesas premium vêm aí
As chinesas começam a aparecer neste mercado. A definição de luxo para elas não pode ser retratada como o luxo tradicional, mas pelo posicionamento nitidamente superior em relação às suas marcas originárias. Movimentos interessantes foram observados em 2025:
· WEY (pertence à GWM): 585 unidades em 2025 (zero em 2024)
· ZEEKR (do Grupo Geely): de 94 para 571 unidades (crescimento sob base pequena de 2024)
· DENZA (da BYD): 42 unidades em 2025 (lançamento oficial da marca em novembro de 2025).
Relevante entender até onde o mercado brasileiro de luxo irá aceitar outras origens. “Entendo que o mercado irá recepcionar muito bem as marcas chinesas (ou de qualquer outra origem) caso possuam uma rede de concessionárias ampla para atendimento das necessidades do brasileiro, uma reposição de peças adequada, um pós-venda de qualidade, baixos níveis de manutenção, consistência de produto e, principalmente, que cumpram com as leis brasileiras irrestritamente”, opina Milad.
Máia complementa: “A aposta para 2026 deve ser concentrada em SUVs eletrificados com forte ação em arquiteturas tipo PHEV/EV no mix. As novas tecnologias de extensor de autonomia não devem e não podem ser desconsideradas por conversarem muito bem com nosso mercado”, analisa a consultora.
Fonte: Eduardo Pincigher / eduardopincigher@hotmail.com / +55 11 99464 9356

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