quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

A performance nas vendas das marcas chinesas de carros em 2025

 

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A K.LUME Consultoria divulga hoje uma leitura das marcas de origem chinesa no mercado brasileiro em 2025, realizando diversos recortes, como o crescimento nos carros de passeio e nos comerciais leves, os dados específicos de fabricantes que atuam no segmento premium, além da análise dos resultados das entrantes.


A leitura indica elementos bem interessantes. O estudo realizado pelos consultores da K.LUME Consultoria aponta um claro crescimento nas vendas dessas fabricantes, marcando um ponto de inflexão bem nítido, mas menor do que se é apresentado de forma geral. O mercado cresce, porém de forma concentrada e ainda dependente de poucas marcas.


O total de emplacamentos de marcas chinesas saltou de 169.304 em 2024 para 244.913 unidades em 2025, um crescimento de 44,7%. Em qualquer outro contexto, esse número seria interpretado como uma “transformação na indústria”, mas os dados precisam ser analisados com cautela.


O mercado dos chineses está fortemente enraizado nos automóveis de passeio, com 98,4% do total (241.068 emplacamentos), mas tal fato não impede de se observar um potencial crescimento nos comerciais leves. 


Existe de forma perceptível a sensação de uma “invasão chinesa” em decorrência da quantidade de marcas dessa origem no Brasil, mas a grande maioria opera abaixo de 1.500 unidades por ano e ainda sem qualquer escala industrial, capacidade logística estabelecida ou mesmo um pós-venda estruturado. Atuam, em sua maioria, testando o mercado e ocupando as lacunas deixadas pelas marcas tradicionais.


As vendas em 2026 indicarão a real fixação das marcas chinesas no Brasil, pois a análise com base em 24/25 indica que o crescimento chinês é pulverizado, pontual e ainda simbólico, mas com potencial de crescimento para algumas marcas.


Apenas como referência e dado estatístico, o Brasil tinha um total de 20 marcas e submarcas de origem chinesa em 2024 testando, homologando ou vendendo veículos. No ano passado, este número subiu para 38 empresas.


Muitas marcas, mas poucas com altos volumes

“A alta concentração é evidente. Quando analisamos apenas as três marcas com maiores vendas, que são BYD, CAOA CHERY e GWM e suas submarcas, atingimos um grau de concentração elevadíssimo de 93,6%. Se adicionarmos mais 2 empresas nesta análise, chegaríamos a impressionantes 98,0%”, analisa a consultora Maía Màrtins.


Milad complementa: “Essa lacuna é justificada por um produto acertado e bem posicionado em relação a preço, equipamentos e tecnologia, que ocupou competentemente um espaço deixado pela indústria nacional. Essa mesma indústria pouco, ou nada fez, em relação à eletrificação na última década, salvo raríssimas exceções, como a Toyota. Isso sem contar a massificação de discursos na mídia que levam em consideração o meio ambiente, a economia dos veículos eletrificados e o menor custo de manutenção no curto e no médio prazos”, destaca.


O fato é que o mercado de veículos chineses no Brasil ainda está restrito a três players com potencial de crescimento em volume e quantidade de marcas. Entretanto, caso exista algum erro de posicionamento, perda de competitividade por ações governamentais ou mesmo por ações das empresas locais, o mercado chinês tenderá a encolher rapidamente.


Comerciais Leves

O segmento dos comerciais leves mostra, em 2025, um crescimento acima da média, mas ainda sob uma base muito pequena. O volume total salta de 1.213 unidades em 2024 para 3.845 unidades em 2025, crescimento de 217%.


Realmente, à primeira vista, o número impressiona. Porém se trata de um mercado para os chineses ainda muito incipiente e dependente de movimentos bem específicos.


Chinesas versus fabricantes tradicionais

Enquanto o mercado geral cresceu 2,4% em 2025, os chineses, conforme exposto, ampliaram as vendas em 44,7%. A diferença é justificada pela novidade, pelos preços adequados ao consumidor brasileiro, pela tecnologia, design, pelo fato de a eletrificação ser algo tangível e vendável nos dias de hoje e pelo altíssimo foco em SUVs no portfólio de produtos.


A resposta das empresas tradicionais a esse apetite das chinesas, por sua vez, não é nada delicada. Nas entrelinhas, elas dizem que precisam provar vida longa no mercado e que uma fabricante não se torna notória apenas com volume e tecnologia. São necessários rede de serviços, pós-vendas, atendimento ao cliente, disponibilidade de peças, bons valores residuais, capacidade de reparação, aceitação do mercado ao longo do tempo, adequados valores de manutenção, governança local, entre outros fatores.


As chinesas respondem com novos métodos e tecnologias de produção, desenvolvimento de materiais e de software, consolidação e ampliação de mercados e, por fim, justificam que mudaram os conceitos pois aprenderam o que estava errado justamente com as fabricantes tradicionais. Quem estará certo? Vejamos em 2026.

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