As
vendas em 2026 indicarão a real fixação das marcas chinesas no Brasil,
pois a análise com base em 24/25 indica que o crescimento chinês é
pulverizado, pontual e ainda simbólico, mas com potencial de crescimento
para algumas marcas.
Apenas
como referência e dado estatístico, o Brasil tinha um total de 20
marcas e submarcas de origem chinesa em 2024 testando, homologando ou
vendendo veículos. No ano passado, este número subiu para 38 empresas.
Muitas marcas, mas poucas com altos volumes
“A
alta concentração é evidente. Quando analisamos apenas as três marcas
com maiores vendas, que são BYD, CAOA CHERY e GWM e suas submarcas,
atingimos um grau de concentração elevadíssimo de 93,6%. Se adicionarmos
mais 2 empresas nesta análise, chegaríamos a impressionantes 98,0%”,
analisa a consultora Maía Màrtins.
Milad
complementa: “Essa lacuna é justificada por um produto acertado e bem
posicionado em relação a preço, equipamentos e tecnologia, que ocupou
competentemente um espaço deixado pela indústria nacional. Essa mesma
indústria pouco, ou nada fez, em relação à eletrificação na última
década, salvo raríssimas exceções, como a Toyota. Isso sem contar a
massificação de discursos na mídia que levam em consideração o meio
ambiente, a economia dos veículos eletrificados e o menor custo de
manutenção no curto e no médio prazos”, destaca.
O fato é que o mercado de veículos chineses no Brasil ainda está restrito a três players
com potencial de crescimento em volume e quantidade de marcas.
Entretanto, caso exista algum erro de posicionamento, perda de
competitividade por ações governamentais ou mesmo por ações das empresas
locais, o mercado chinês tenderá a encolher rapidamente.
Comerciais Leves
O
segmento dos comerciais leves mostra, em 2025, um crescimento acima da
média, mas ainda sob uma base muito pequena. O volume total salta de
1.213 unidades em 2024 para 3.845 unidades em 2025, crescimento de 217%.
Realmente,
à primeira vista, o número impressiona. Porém se trata de um mercado
para os chineses ainda muito incipiente e dependente de movimentos bem
específicos.
Chinesas versus fabricantes tradicionais
Enquanto
o mercado geral cresceu 2,4% em 2025, os chineses, conforme exposto,
ampliaram as vendas em 44,7%. A diferença é justificada pela novidade,
pelos preços adequados ao consumidor brasileiro, pela tecnologia,
design, pelo fato de a eletrificação ser algo tangível e vendável nos
dias de hoje e pelo altíssimo foco em SUVs no portfólio de produtos.
A
resposta das empresas tradicionais a esse apetite das chinesas, por sua
vez, não é nada delicada. Nas entrelinhas, elas dizem que precisam
provar vida longa no mercado e que uma fabricante não se torna notória
apenas com volume e tecnologia. São necessários rede de serviços,
pós-vendas, atendimento ao cliente, disponibilidade de peças, bons
valores residuais, capacidade de reparação, aceitação do mercado ao
longo do tempo, adequados valores de manutenção, governança local, entre
outros fatores.
As
chinesas respondem com novos métodos e tecnologias de produção,
desenvolvimento de materiais e de software, consolidação e ampliação de
mercados e, por fim, justificam que mudaram os conceitos pois aprenderam
o que estava errado justamente com as fabricantes tradicionais. Quem
estará certo? Vejamos em 2026.
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