O desenvolvimento de baterias de lítio totalmente em estado sólido
no Brasil acaba de atingir um novo patamar. Após uma primeira etapa
focada na validação da tecnologia, o projeto em parceria entre Voltpile,
Senai PR, a Petrogal Brasil (JV Galp | Sinopec), ANP e Embrapii
alcançou um marco inédito na América Latina: a construção da primeira bateria de estado sólido com configuração bipolar operando a 122 volts.
Da prova de conceito ao sistema em alta tensão
Quando o projeto
foi apresentado publicamente, em 2024, os esforços estavam concentrados
no desenvolvimento e validação de uma bateria de estado sólido
funcional de baixa tensão (3,7 volts). Desde então, a evolução foi
significativa.
O novo protótipo
desenvolvido possui 24 cm² de área ativa e adota a arquitetura bipolar,
uma configuração considerada estratégica para aplicações que exigem alta densidade energética e maior tensão,
como mobilidade elétrica e sistemas avançados de armazenamento de
energia. Atingir 122 volts em uma bateria de estado sólido representa um
avanço expressivo, especialmente em um estágio ainda pré-industrial, e
posiciona o projeto entre os mais avançados da América Latina nesse tipo
de tecnologia.
Impacto tecnológico e estratégico
As baterias de
estado sólido são amplamente reconhecidas como uma das tecnologias mais
promissoras para o futuro da eletrificação, por eliminarem o uso de
eletrólitos líquidos inflamáveis e oferecerem maior segurança
operacional. Além disso, o empilhamento de uma bipolar reduz a
quantidade de materiais inativos, como a fiação e o invólucro, e pode
diminuir as perdas resistivas, o que traz benefícios tanto para aumentar
a densidade de energia quanto para a redução de custos de materiais e
produção. A adoção da arquitetura bipolar amplia ainda mais esse
potencial, aproximando a tecnologia de aplicações reais em setores
estratégicos.
O avanço
alcançado pelo projeto reforça a capacidade da indústria e da ciência
brasileiras de atuar na fronteira tecnológica do armazenamento de
energia, reduzindo dependências externas e criando bases sólidas para
inovação nacional em eletrificação, mobilidade e transição energética.
Próxima etapa
Com o sucesso do
primeiro protótipo bipolar, o projeto entra agora em uma nova fase. Os
pesquisadores trabalham no aumento da área ativa da bateria, com o
objetivo de desenvolver um novo protótipo de 122 volts com 72 cm². Esse
avanço se traduz em um aumento de capacidade, mantendo os requisitos de
segurança, estabilidade eletroquímica e desempenho elétrico.
Essa etapa é
considerada essencial para a consolidação da tecnologia, pois envolve
desafios adicionais relacionados à homogeneidade dos materiais e à
integridade mecânica.
Segundo Marcos
Berton, pesquisador-chefe, “o resultado da pesquisa aplicada dessa
parceria representa um salto de soberania tecnológica: da bancada à alta
tensão, consolidamos a base nacional para liderar a próxima geração da
mobilidade elétrica e do armazenamento de energia.”
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