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Entre os dias 18 e 27 de maio, o CARDE ficou fechado temporariamente para uma manutenção predial expressiva, com foco na pintura, pisos, modernização da cozinha, entre outros itens para o conforto e comodidade para os visitantes. E para aproveitar a parada técnica, o diretor e curador do museu, Luiz Goshima, optou por fazer uma renovação parcial no acervo de carros, obras de arte e mobiliário, trazendo assim muitas novidades nunca antes apresentadas no CARDE.
Entre as obras de arte, o destaque vai para a escultura Trepante (versão 1) em aço inox e troncos de madeira, de Lygia Clark. Há também os vasos Xangô, Oxaguiam, Oxossi e Ogum, de Almir Lemos, modelado à mão em argila primitiva crua sem queima, mantendo toda sedimentação do solo. Nas obras primas do mobiliário histórico brasileiro está a Cadeira de Três Pés, de Joaquim Tenreiro, de 1947, utilizando madeiras jacarandá, roxinho, pau-marfim, imbuia de mogno e pau ferro.
Na lista dos carros, são 21 modelos, que vão desde a Lancia Aurelia B52 B Junior Coupé, de 1952, o Cadillac Eldorado Biarritz 1959, que acabou de ser destaque em março, no evento de anúncio da chegada da marca Cadillac ao Brasil, Porsche 356 Speedster, de 1957, Plymouth Superbird 1970, e vários modelos aspiracionais nacionais das décadas de 1980 e 1990, como o Passat Pointer, os Chevrolet Kadett, Opala Diplomata e Corsa GSI, Fiat Tempra Turbo, entre outros, em estado de zero-quilômetro. Entre os importados de mesma época, o Lotus Omega 3.6 Biturbo 1992 está em evidência pela sua potência e body kits esportivos. No tema exclusividade, outro modelo que chega ao CARDE é o Volkswagen SP1, azul, de 1974, lado a lado com um SP2, prata, que já fazia parte da exposição.
O CARDE acaba de superar a marca de 150 mil visitantes, desde a sua inauguração, em novembro de 2024. Essa é a primeira alteração expressiva da exposição. O museu ampliou o seu acervo de obras de arte e mobiliário histórico e também seu acervo automotivo, que trouxe muitos modelos marcantes da história automotiva. São vários destaques das décadas de 1980 e 1990, um pedido que sempre os visitantes fizeram ao CARDE, pelas conexões sentimentais que geram.
Detalhes de alguns dos recém-chegados ao CARDE:
1992 Opel Lotus Omega Considerado um dos automóveis mais velozes e instigantes da década de 1990, o Lotus Omega/Carlton nasceu de um arrojado projeto de cooperação entre a Opel, a Vauxhall e a Lotus. Marcas integrantes, na época, do vasto conglomerado automotivo da General Motors. Revelado em março de 1989, no Salão do Automóvel de Genebra, na Suíça, o novo modelo era baseado na plataforma do Opel Omega, porém continha uma série de alterações de desempenho, na mecânica e na carroceria. Mudanças desenvolvidas pela Lotus, tradicional fabricante inglesa de esportivos. Fabricado entre 1990 e 1992, vinha equipado com um motor de seis cilindros em linha, de 3.6 litros, biturbo, de 377 cavalos de potência. Possuía câmbio manual de seis marchas (o mesmo utilizado no contemporâneo Chevrolet Corvette ZR-1) e era capaz de alcançar a velocidade máxima de 283 quilômetros por hora, indo de 0 a 100 em aproximadamente cinco segundos. A produção, inicialmente prevista para 1.100 unidades, limitou-se aos 950 exemplares construídos. O veículo em exibição corresponde ao chassis de número #0752 e foi produzido em 1992. Vendido originalmente para a França, é, atualmente, o segundo Opel Lotus Omega existente no Brasil.
1970 Plymouth Road Runner Superbird Versão modificada e aerodinâmica do Plymouth Road Runner, o Superbird começou a ser produzido no final de 1969, já anunciado como modelo 1970. Projetado especificamente para a temporada de provas da NASCAR (National Association for Stock Car Auto Racing), tinha como objetivo principal superar a Ford nas pistas. Famoso por seu longo bico e pela enorme asa traseira, desenvolvidos em túnel de vento, o muscle car norte-americano se tornou um dos maiores vencedores da categoria. Devido às mudanças de regulamento em 1971 e às dificuldades de aceitação do visual do carro por parte do público, o Superbird saiu de linha após um ano no mercado. Esta unidade é equipada com um motor V8 440 “Six-Barrel”, de 390 cavalos de potência. Possui câmbio manual “Pistol Grip”, de quatro velocidades, e é capaz de atingir a máxima aproximada de 230 quilômetros por hora. Ostenta a chamativa cor “Limelight Green”, um tom cítrico de verde limão. Vendido, originalmente, pela concessionária ChryslerPlymouth da cidade de Reno, nos Estados Unidos, este exemplar participou de diversas competições na região. Venerado pelos colecionadores, a produção total do Plymouth Road Runner Superbird foi de 1.935 unidades.
1959 Cadillac Eldorado Biarritz No final dos anos 40, e no decorrer dos 50, a indústria americana vivenciou um boom estético influenciado pelo tema aeronáutico. Perfis e feitios conceituais foram absorvidos por todos os setores e não seria diferente o ocorrido com o campo automobilístico. Este movimento estilístico alcançaria o seu ápice durante o período da corrida espacial. Um dos principais, talvez o maior exemplo desta eufórica fase, foi o Cadillac de 1959. Destacando-se dos demais concorrentes, a divisão de luxo da GM retratava o exagero das formas e o auge do uso dos metais cromados decorativos. Os típicos e famosos “rabos-de-peixe” da marca eram os maiores já vistos. Neste ano, treze opções distintas compunham o catálogo de vendas. Apesar de semelhantes em design, se diferenciavam por séries, motorização e preço. O automóvel em exibição corresponde ao modelo Eldorado Biarritz, e é equipado com um motor V8, de 6.4 litros, de 345 cavalos de potência. Ícone sobre rodas, seu comprimento total é de 5 metros e 71 centímetros. Caro e luxuoso, apenas 99 carros saíram de fábrica com bancos dianteiros individuais.
1957 Porsche 356 A 1600 Speedster Considerado um dos carros mais famosos e cobiçados de todos os tempos, o 356 Speedster foi apresentado ao público em setembro de 1954. Criado pela Porsche, a partir de um pedido feito por Max Hoffman, renomado importador de automóveis europeus sediado em Nova Iorque, nos Estados Unidos, o novo modelo tinha em vista o crescente e competitivo mercado norte-americano de veículos esportivos. Apesar de compartilhar componentes e elementos de estilo com a versão Cabriolet, o Speedster diferenciava-se por apresentar, em seu design, traços mais dinâmicos, que transmitiam a sensação de movimento e de liberdade. Outros detalhes exclusivos incluíam: para-brisa mais baixo, panorâmico; capota de lona, removível; bancos concha e a ausência de vidro nas portas. Alterações que priorizavam a leveza e a agilidade. Construído na Alemanha em 1957 e exportado, logo em seguida, para os Estados Unidos, o Porsche 356 A 1600 Speedster em exibição é equipado com um motor boxer de quatro cilindros, 1600, traseiro, arrefecido a ar. Possui cerca de 60 cavalos de potência e é capaz de atingir a máxima aproximada de 160 quilômetros por hora. Totalmente restaurado nos padrões originais de fábrica, ainda preserva seus números correspondentes de mecânica, chassis e carroceria.
1952 Lancia Aurelia B52 B Junior Coupé Tradicional
fabricante de automóveis e veículos pesados, a marca italiana
Lancia foi fundada em 1906. Reconhecida pelas soluções originais de
design e vanguarda tecnológica, produziu inúmeros tipos consagrados na
história automotiva, como o inovador Lambda, o luxuoso Astura e o
aerodinâmico Aprilia. Entretanto, foi durante o início
de 1950 que um dos maiores sucessos da montadora foi apresentado: o
Lancia Aurelia. Revelado no 32º Salão do Automóvel de Turim,
destacava-se por seu perfil elegante e pelo inédito motor V6, sendo o
primeiro carro de produção em série do mundo a utilizar esta
mecânica. Batizado em homenagem à Via Aurelia, importante estrada da
Roma Antiga, o novo modelo serviu de base para diversas variações ao
decorrer da década, até ser descontinuado em 1958. Construído em 1952, o
exemplar em exposição corresponde ao Lancia Aurelia
B52. Fornecido exclusivamente para encarroçadores renomados, apenas 98
chassis especiais foram criados. Dentre estes 98, somente duas unidades
foram elaboradas neste feitio pela Carrozzeria Ghia. Desenhado por Gian
Paolo Boano sob a forte influência das tendências
americanas de estilo e denominado “B Junior”, o moderno Coupé é
equipado com um motor V6, de 2.0 litros, de 70 cavalos de potência.
CARDE, mais do que um museu, um “ecossistema” do antigomobilismo
No Brasil, um novo e forte ecossistema para o antigomobilismo está se formando. Lojas especializadas, restauradores de alto nível, coleções com representatividade internacional. Um dos marcos desse novo ecossistema é o CARDE museu, da Fundação Lia Maria Aguiar, inaugurado em novembro de 2024. Ele conta a história da república por meio de carros e obras de arte. Os veículos são utilizados como fio condutor que estimula a todos, por meio de forte conexão sentimental que os carros geram nas pessoas.
O CARDE em 2025 deu importantes passos na internacionalização do antigomobilismo brasileiro, de forma inédita. Foi duplamente premiado em dois dos mais importantes encontros e concursos de elegância do mundo. O Isotta Fraschini 1928 foi eleito como o modelo mais luxuoso de Pebble Beach no ano passado, e a Ferrari F50, a melhor das 16 unidades expostas no The Quail, a Motorsports Gathering, em celebração ao aniversário de 30 anos de lançamento do modelo italiano, considerado um F1 de rua. Foi a primeira vez que a relevância do nosso País ficou evidenciada em fóruns internacionais.
“O Brasil vive um momento de evolução da valorização da cultura automotiva, que se une ao entendimento do carro antigo também como produto com valor estável e precificação muitas vezes com referências internacionais. Além do fator sentimental para alguns, o carro clássico hoje é visto também como um investimento resiliente à grandes flutuações. Há ainda um terceiro ganho, que é a abertura para novas oportunidades de networking, entre pessoas de mesma afinidade”, explica Luiz Goshima.
O museu é parte da Fundação Lia Maria Aguiar (FLMA), que conta com outras iniciativas na cidade de Campos do Jordão. É uma instituição independente e sem fins lucrativos, que há 17 anos desenvolve projetos nas áreas de arte, cultura, educação, saúde e desenvolvimento social. Anualmente, mais de 700 crianças e adolescentes participam de cursos artísticos profissionalizantes nos Núcleos de Dança, Música e Teatro — que se tornam a porta de entrada para um mundo de oportunidades e possibilidades.
A FLMA conta ainda com o Núcleo de Saúde, gerido em parceria com o Instituto de Responsabilidade Social Sírio-Libanês (IRSSL), que oferece atendimento gratuito a alunos, familiares e colaboradores. Por meio de parceria com a prefeitura, o núcleo também estende o atendimento à população local.

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