segunda-feira, 6 de julho de 2026

Invasão de elétricos chineses expõe nó tributário no mercado brasileiro

 

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As vendas de veículos elétricos e híbridos no Brasil atingiram um novo patamar no primeiro semestre deste ano, impulsionadas pela forte ofensiva de marcas asiáticas. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), os emplacamentos de modelos 100% elétricos saltaram de 30.534 unidades nos primeiros seis meses de 2025 para 90.470 no mesmo período de 2026 – um salto expressivo de 196%. Se somada a expansão de 85% na categoria de híbridos, o cenário consolida o país como um dos principais focos da expansão automotiva chinesa fora da Ásia.

 

No entanto, por trás do entusiasmo dos consumidores com os preços competitivos e a alta tecnologia, desenha-se uma complexa batalha macroeconômica e tributária. Em análise recente, o economista Charles Mendlowicz, sócio da Ticker Wealth e criador do canal Economista Sincero, jogou luz sobre as engrenagens que movem essa "revolução chinesa" e as controvérsias que cercam a política fiscal do governo federal.

 

Mudança no imposto de importação redesenha dinâmica do setor automotivo

 

Em 1º de julho, a alíquota do imposto de importação para veículos elétricos montados no exterior subiu para 35%. O que parecia uma barreira protecionista para defender a indústria nacional, contudo, esconde uma exceção estratégica: o governo renovou as cotas com alíquota zero até o fim de 2026 para veículos que chegam desmontados (CKD) ou semidesmontados (SKD), beneficiando diretamente marcas que finalizam a montagem em solo nacional, como a BYD.

 

Mendlowicz aponta a dubiedade da medida. “A prorrogação das cotas pelo governo, aprovada pela Câmara de Comércio Exterior (Camex), contrariou os interesses das montadoras tradicionais instaladas no país, representadas pela Anfavea. É a briga do antigo contra o novo", resume o economista.

 

Caso o cenário atual asfixie a competitividade local, Mendlowicz alerta para o risco de desindustrialização. "A depender do que o governo continue fazendo, as fábricas vão acabar no Brasil. A montadora não precisa mais fabricar aqui. Ela pode fabricar em um lugar barato, na própria China, e importar as peças como ‘blocos de montar’”, pontua o economista.

 

Expansão da indústria chinesa gera pressão global no setor

 

A ofensiva chinesa não é um fenômeno isolado do mercado brasileiro. Citando visões de mercado que circulam no setor, Charles destaca a tese de que o governo chinês possa ter injetado volumes colossais ao longo de mais de uma década para subsidiar suas montadoras.

 

Essa pressão já gera fortes abalos na Europa. Na Alemanha, epicentro automotivo do continente, a Volkswagen planeja fechar fábricas e cortar até 100 mil postos de trabalho para conter os danos da concorrência. "Nós estamos vendo uma crise no setor automotivo e a China está crescendo, vendendo carros em tudo quanto é lugar", comenta Mendlowicz.

 

Enquanto os Estados Unidos barram o avanço chinês e dependem de players como a Tesla, e marcas europeias reduzem o tamanho de seus carros para competir, o Brasil se torna o principal campo de provas dessa transição energética na América Latina. “O avanço é um caminho sem volta. Nos resta saber se o Brasil colherá os frutos da modernização ou o preço do fechamento de suas indústrias tradicionais”, conclui o economista.

 

Sobre Charles Mendlowicz, o Economista Sincero

 

Charles Mendlowicz é um dos principais nomes do mercado financeiro brasileiro, com 30 anos de experiência e um histórico de sucesso no mercado financeiro e no varejo. É sócio da consultoria de wealth management Ticker Wealth, onde lidera a estratégia de expansão, e autor do best-seller "18 princípios para você evoluir". Sua abordagem direta e transparente o consagrou como um influenciador confiável, tendo sido eleito o melhor influenciador de investimentos pela ANBIMA por quatro vezes.

 

@publishideas    

 

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