terça-feira, 25 de agosto de 2026

Romi-Isetta Foi o Carro Pioneiro em Diversas Tecnologias Modernas no Brasil

 

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O Romi-Isetta não só foi o primeiro carro nacional como também deixou um legado tecnológico altamente elevado para a indústria brasileira de veículos. Mais do que um ‘carrinho simpático’, o modelo contava com características técnicas que até hoje são referência em veículos modernos, mesmo já decorridos 70 anos do início de sua comercialização no país.

Um ótimo exemplo é o bloco e o cabeçote do motor do Romi-Isetta, construídos inteiramente em alumínio, o que ajudava na redução de peso e, consequentemente, no desempenho e na economia de combustível. Hoje em dia a grande maioria dos automóveis repete essa receita, que pode ser encontrada em inúmeros veículos nacionais de várias marcas, tais como Chevrolet, Fiat, Honda, Jeep, Volkswagen e Toyota.

Falando em marcas, o Romi-Isetta foi também o primeiro modelo nacional a usar conjunto motor e câmbio BWM, a partir de 1959. Esse feito só se repetiria 55 anos depois com o Série 3, fabricado pela marca bávara em unidade própria em Araquari, SC.

Com a chegada do novo motor BMW, o Romi-Isetta ainda ganhou cabeçote de fluxo cruzado (cross-flow), melhorando sua eficiência. Essa tecnologia está hoje presente em praticamente todos os carros nacionais, assim como outra inovação trazida pelo Romi-Isetta para o Brasil, a do motor em posição transversal. 

Transmissão, sistema elétrico, freios...

Isso, porém, é apenas uma pequena parte do aparato tecnológico do Romi-Isetta. E nem é preciso procurar muito para encontrar mais inovações: seu câmbio já era de quatro marchas à frente (mais a ré), em busca de melhor distribuição de torque e maior eficiência e economia, quando o padrão da indústria no fim dos anos 1950 ainda era o câmbio de apenas três marchas. Além disso, o sistema elétrico do Romi-Isetta já era 12V, enquanto a enorme maioria dos outros carros ainda usava o 6V.

Ainda na parte elétrica, em pleno 1956 o Romi-Isetta já trazia alternador em lugar do arcaico gerador, bem como limpador do para-brisa elétrico em substituição ao falho sistema a vácuo.

Nos freios, enquanto vários carros dessa fase ainda possuíam sistema a varão (também chamado de ‘freio mecânico’), no Romi-Isetta eles já eram hidráulicos, por fluido, com capacidade e confiabilidade muito superiores.

Em termos de carroceria, o Romi-Isetta ainda inaugurou no Brasil a produção do conceito monobloco, mais seguro e estável do que as carrocerias sobre chassi. E o ‘pequeno notável’ ainda tinha teto solar de série. 

Quanto custava um Romi-Isetta?

Apesar de todas essas modernidades, o Romi-Isetta cumpria à risca seu objetivo primordial de ser um verdadeiro carro popular — ou seja, econômico tanto no consumo e na manutenção quanto no valor de aquisição.

Em termos nominais, em novembro de 1960 (quando a indústria nacional já estava em firme processo de consolidação, com vários modelos produzidos no país por diversas marcas) o Romi-Isetta custava 370 mil cruzeiros, o que o tornava, disparado, o carro brasileiro mais barato. Como referência, esse valor equivalia a 38 salários-mínimos da época.

Os concorrentes mais próximos custavam aproximadamente 40% a mais, no mínimo: o Willys Dauphine era vendido a Cr$ 530 mil (55 mínimos) e o VW Fusca 1200 a Cr$ 540 mil (56 mínimos). Pelo valor de um Aero Willys (Cr$ 895 mil ou 93 mínimos) dava para comprar dois Romi-Isetta e ainda sobrava um bom troco; já o preço do Simca Chambord (Cr$ 1,1 milhão ou 114 mínimos) equivalia ao de três Romi-Isetta. 

Um mundo de curiosidades

Por seu pioneirismo e inovação, a história do Romi-Isetta é cercada de vários outros fatos interessantes e curiosos. Alguns deles são:

·       Por seu tamanho diminuto, o Romi-Isetta podia ser estacionado de frente para a calçada, em vez de paralelamente, como é mais comum. E como a porta era dianteira, os ocupantes já entravam ou saíam do carro diretamente pelo passeio, evitando acidentes ou atropelamentos no embarque e desembarque;

·       O Romi-Isetta inaugurou nos carros nacionais a opção de pintura em duas cores, hoje chamada de bi-tom. A propósito, o primeiro Romi-Isetta, fabricado em 1956, era um modelo creme e vermelho, enquanto o último, em 1961, era branco e amarelo;

·       Só o modelo brasileiro tinha os vigias laterais e traseiro em acrílico, deixando o carro mais leve - e, portanto, ainda mais eficiente - do que a versão original da Iso italiana, que era produzida com todos os vigias em vidro;

·       Inúmeros brasileiros famosos tiveram um Romi-Isetta em suas garagens, principalmente pelo fato de o modelo esbanjar carisma e simpatia. Um deles foi Pelé, que ganhou (de surpresa) o carro pela conquista da primeira copa do mundo pela seleção brasileira de futebol, em 1958, na Suécia;

·       Apesar de sua essência urbana, o Romi-Isetta participou de diversas viagens de longa distância. A primeira que se tem notícia foi em março de 1958, quando um casal, ele fotógrafo e ela cantora, devidamente acompanhados de um papagaio de estimação, foram de São Paulo até Brasília para conferir as obras de construção da então futura capital;

·       O Romi-Isetta também esteve envolvido diretamente nos esportes a motor, principalmente, é claro, no automobilismo. Porém em 1957 uma improvável partida de futebol foi disputada por vários Romi-Isetta em pleno estádio do Pacaembu, com os motoristas ‘chutando’ uma bola gigante com seus carros. 

Evento em homenagem aos 70 anos

O Romi-Isetta foi lançado no Brasil em 5 de setembro de 1956. Exatamente 70 anos depois, 5 de setembro de 2026, um sábado, esse acontecimento histórico será celebrado no Encontro Nacional de Romi-Isettas, que acontecerá na sede da Fundação Romi, em Santa Bárbara d’Oeste (SP), cidade onde o veículo era fabricado.

O evento contará com carreata de Romi-Isetta pelas ruas da cidade, exposição de documentos de época, desenhos técnicos e fotos antigas abordando a heróica trajetória do carro. A programação contará ainda com gincana para proprietários, loja de souvenirs e distribuição de miniaturas de Romi-Isetta produzidas na hora em uma máquina Sopradora Romi. Também haverá praça de alimentação com food trucks, espaço para crianças e apresentações musicais.

A entrada será gratuita e os colecionadores interessados em expor seus Romi-Isetta podem cadastrar seus veículos por meio do link https://mkt.fundacaoromi.org.br/romi-isetta-70-anos. 

Serviço

Encontro Nacional de Romi-Isettas

Data: 5 de setembro de 2026, sábado

Local: Fundação Romi – Av. João Ometto, 118, Jardim Panambi, Santa Bárbara d'Oeste, SP

Horário: 9h às 15h

Entrada: Gratuita

Site: www.fundacaoromi.org.br

Instagram: @fundacaoromi

Fonte: SD&PRESS Consultoria 

 

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