quinta-feira, 23 de julho de 2026

Conheça os mitos e verdades da blindagem automotiva

 

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Quem já assistiu a filmes policiais conhece bem a cena: o herói se abriga atrás de um carro blindado, balas ricocheteiam sem deixar rastro nos vidros e o veículo sai intacto – assim como o mocinho, claro. A ficção vende uma imagem que está longe da realidade técnica. Para esclarecer o que de fato acontece, Fábio Raymundo, gerente de pós-vendas da Avallon Blindagens, com 25 anos de experiência no setor, desfaz os principais mitos que ouve no dia a dia. 


Mito 1: "Os vidros, após a blindagem, ficam indestrutíveis" 


O vidro blindado não é invulnerável visualmente: ele foi projetado para absorver o impacto e essa absorção provoca danos visíveis. Segundo Fábio, quando o projétil atinge o vidro, ele dissipa a energia no material e a tendência é expandir ali mesmo, causando trincas. “O objetivo não é manter o vidro intacto, mas garantir que quem está dentro do veículo não seja atingido”, explica ele.  


Curiosamente, o vidro blindado apresenta dano mais aparente do que um vidro comum ao ser atingido até por uma pedra, exatamente porque sua estrutura dissipa energia em vez de estilhaçar. E é justamente aí que mora outro equívoco comum: achar que o vidro blindado não pode sofrer uma trinca. 


O veículo blindado pode apresentar trincas espontâneas, ou seja, sem que seja atingido por algum objeto. Na maioria dos casos, quando a origem dessas trincas está associada a questões de fabricação ou instalação, elas aparecem já nos primeiros meses de uso do veículo.  


O que é mais comum, no entanto, é que as trincas apareçam depois desse período, em decorrência de fatores externos. Fábio lembra que uma das causas mais frequentes é a mudança brusca de temperatura. "O carro está em um ambiente mais quente, como no litoral. O usuário chega em casa e joga água gelada da mangueira no para-brisa. Sobe a trinca. Ou está em uma região mais fria. Depois de um dia exposto ao sol quente, fez muito frio à noite e o veículo amanhece com o vidro trincado. Essas alterações bruscas podem causar trinca”. 


Outra causa comum é um objeto que vai de encontro ao vidro sem que o condutor perceba. “A trinca não surge na hora. Com o movimento do veículo, ela vai expandindo e fica evidente. Nestes casos, o motorista pode achar que foi uma trinca espontânea", comenta o especialista.  


Mito 2: "A blindagem pesa demais e afeta a dirigibilidade do veículo" 

O peso é o tema que mais gera distorções. Atualmente, a blindagem está mais leve, de forma geral. Mas o gerente lembra que não é o peso da blindagem que assegura a confiabilidade. “É importante avaliar não apenas os materiais utilizados, mas também a engenharia do projeto de blindagem e se ele foi validado por certificações e testes balísticos. A segurança não está relacionada ao peso, mas à qualidade da solução empregada.” 


Ele explica ainda que, considerando uma blindagem premium, o peso adicionado ao veículo não gera impacto na dirigibilidade. Esse resultado é alcançado pela combinação de materiais de alta tecnologia com um projeto de engenharia desenvolvido para preservar o comportamento dinâmico original do veículo. 


"Uma referência mais precisa de peso é imaginar três adultos médios dentro do veículo, o que equivale a cerca de 180 a 240 kg, variando conforme o porte do carro, os materiais utilizados e a presença de adicionais, como teto solar. Isso, claro, falando de uma blindagem efetivamente segura para o passageiro”, complementa. 


Mito 3: "O carro blindado fica difícil de dirigir" 

O impacto na dirigibilidade até existe, mas é muito menor do que se imagina. Fábio afirma que o ponto que mais se sente é a frenagem. “Com o peso adicional, a distância até que o veículo pare por completo aumenta levemente. Mas é uma diferença sutil, com a qual o motorista se adapta rapidamente”, diz o especialista. 


O centro de gravidade é outro aspecto muito comentado. Teme-se que a estabilidade do carro seja prejudicada. O gerente da Avallon explica que o que pode acontecer é haver uma pequena mudança desse centro, especialmente em carros com teto solar. “Mas a tecnologia já solucionou essa questão. A substituição do aço pelo polietileno, mais leve, nas colunas superiores compensa esse efeito. Nos testes dinâmicos que fizemos para a certificação Lexus, por exemplo, conduzidos por pilotos profissionais, o veículo blindado manteve a mesma distância de frenagem que o modelo original e ficou dinamicamente mais estável nas curvas”. 


Mito 4: "A blindagem compromete a estrutura do veículo" 

“É importante que o projeto de blindagem seja elaborado de modo a manter a originilidade do veículo”, destaca Fábio. “Inclusive, no caso de montadoras certificadas, como Toyota e Lexus, a Avallon não faz nenhuma interferência na carroceria do veículo e nenhum ponto de solda”. 


Mesmo em projetos que não exigem um processo formal de certificação, as alterações necessárias são amplamente estudadas para preservar as características originais do veículo. “Ou seja, ainda que haja algum tipo de alteração, ela não será percebida pelo motorista”, explica o especialista. 


Mito 5: "O material é o que diferencia uma blindagem da outra" 

Este talvez seja o mito mais perigoso. Para Fábio, o material é condição necessária, mas não suficiente. "Pode-se utilizar o melhor vidro do mercado. Mas, se ele não for instalado da maneira correta, seu desempenho pode ser comprometido e, consequentemente, a blindagem pode não oferecer o nível de segurança esperado. Outro exemplo é o uso de materiais mais leves apenas para reduzir o peso da blindagem, mesmo em pontos onde eles não oferecem o nível de proteção necessário ao passageiro”. 


A palavra-chave, portanto, é a confiança. Fábio Raymundo recomenda buscar blindadoras com tempo de mercado e certificações, já que esse processo exige a melhoria contínua das operações da empresa, a realização de testes reais e capacitação da equipe. 

 

Mira Comunicação  

    

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