sexta-feira, 7 de agosto de 2026

Primeiro Carro Nacional, Romi-Isetta Ganha Evento Para Celebrar seus 70 anos

 

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Em 5 de setembro de 1956 o Brasil mudou para sempre. Nesse dia o país entrava em uma nova fase de desenvolvimento industrial com o lançamento do primeiro carro nacional, a Romi-Isetta.

Exatamente 70 anos depois, em 5 de setembro de 2026, essa data histórica será amplamente celebrada no Encontro Nacional de Romi-Isettas, que acontecerá na sede da Fundação Romi, em Santa Barbara d’Oeste (SP), cidade onde o modelo era fabricado.

O evento contará com exposição de documentos de época, desenhos técnicos e fotos históricas abordando a heroica trajetória do veículo. A programação contará ainda com carreata de Romi-Isettas pelas ruas da cidade, gincana para proprietários, loja de souvenirs e distribuição de miniaturas de Romi-Isetta produzidas na hora em uma máquina Sopradora Romi. Também haverá praça de alimentação com food trucks, espaço para crianças e apresentações musicais.

A entrada será gratuita e os colecionadores interessados em expor suas Romi-Isettas no Encontro Nacional podem cadastrar seus veículos por meio do link https://mkt.fundacaoromi.org.br/romi-isetta-70-anos

Como foi o dia 5 de setembro de 1956

A chegada do primeiro carro nacional foi marcada por um inesquecível desfile das primeiras 16 unidades fabricadas pelas principais ruas e avenidas de São Paulo. Saindo da R. Marquês de Itu, no Centro, onde ficava a primeira concessionária, o comboio passou sendo aplaudido pelo público ao longo do Largo do Arouche, Praça da República, Av. São Luís e Av. Brigadeiro Luís Antônio, até o Palácio Episcopal, na região da Bela Vista, onde o cardeal D. Carlos Carmelo Motta abençoou os Romi-Isettas.

Roubando a cena por onde passava, a carreata seguiu pela Av. Paulista, Av. Angélica, Praça Marechal Deodoro, Av. São João e Av. Rio Branco até os Campos Elíseos, onde ficava a sede do governo paulista. Lá o então governador Jânio Quadros conheceu de perto a Romi-Isetta e, entusiasmado, declarou: “Honra a nossa indústria, honra São Paulo e honra os brasileiros um carro como esse”.

De lá a caravana tomou o rumo do Largo do Paissandu, passando pelo Viaduto do Chá e Praça Ramos de Azevedo até o retorno à loja na R. Marquês de Itu, onde a seguir foi formalizada a primeira venda: uma unidade nas cores vermelho e creme, chassi 56001, adquirida pela S.A. Industrial de Óleos Nordeste, de Porto Alegre, RS. 

Iniciativa não só pioneira, mas corajosa e arrojada

A produção do primeiro carro nacional foi iniciativa da Romi, fabricante de tornos e implementos agrícolas de Santa Bárbara d’Oeste (SP), fundada em 1930. Sempre atuando sob o signo do pioneirismo, a Romi já havia sido responsável pela produção do primeiro trator brasileiro, o Toro, em 1949.

No início de 1955, portanto mais de um ano antes da adoção de medidas do governo federal para incentivar o nascimento da indústria automobilística brasileira, Américo Emílio Romi e seu enteado, Carlos Chiti, se interessaram por um revolucionário veículo urbano chamado Iso Isetta, fabricado na Itália. Importaram duas unidades para estudar sua produção local e, depois de testes e avaliações indicarem sua viabilidade, partiram para uma reunião na sede da empresa na Europa.

A ideia era produzir o veículo no Brasil em parceria, mas a Isetta não tinha recursos, dado o cenário da Itália pós-Segunda Guerra Mundial. Destemida, a Romi decidiu bancar a empreitada sozinha, obtendo a licença de fabricação e pagando 3% de royalties sobre cada unidade vendida.

A Romi, com muita determinação, conseguiu contratar diversos fornecedores nacionais, sendo o principal deles a paulistana Tecnogeral, que produzia as partes metálicas do carro como o chassi e a carroceria. Com isso, já em junho de 1956, a primeira unidade da Romi-Isetta deixava a linha de montagem de Santa Barbará d’Oeste, em um novo galpão erguido na Romi especialmente para esse fim, com um espetacular índice de nacionalização de 72% em peso. O lançamento oficial, porém, ainda esperaria mais três meses, para composição de estoque e constituição da rede de vendas e assistência técnica. 

Antecipando tendências em várias frentes

A Romi-Isetta foi a precursora da mobilidade sustentável. Trata-se de um carro urbano, compacto, econômico – tanto no preço quanto no consumo –, prático, ágil, fácil de dirigir e estacionar e de manutenção simples.

O projeto herdou várias soluções técnicas da avançada indústria aeronáutica, origem de seu projetista, Ermenegildo Pretti. Alguns exemplos são a carroceria aerodinâmica, em forma de gota d’água, a porta única frontal (como dos aviões cargueiros), que facilitava o acesso ao interior do modelo ao mesmo tempo em que fortalecia a estrutura do veículo, a grande área envidraçada, como nos caças a jato, e o amplo uso de materiais mais leves e modernos, como o alumínio.

Por suas características únicas, a Romi-Isetta causou uma onda de paixão instantânea nos brasileiros. Além de aclamado pela imprensa e pelo setor industrial, a classe artística também abraçou o carrinho. Vários atores e atrizes muito famosos na época tiveram um Romi-Isetta ou participaram diretamente de suas atividades de divulgação, como Eva Wilma e John Herbert, o que contribuiu fortemente para a popularidade e carisma do modelo. 

Avanços técnicos e o fim da produção

A primeira Romi-Isetta usava motor Iso dois tempos de 236 cm3 e 9,5 hp, com bloco e cabeçote em alumínio em posição central. A velocidade máxima era de 85 km/h e, graças ao seu baixo peso, de apenas 350 quilos, o consumo chegava a impressionantes 25 km/l.

Depois de algumas evoluções estéticas até 1958, em 1959 veio a maior mudança: foi lançada a Romi-Isetta 300 de Luxe, com motor BMW quatro tempos de 298 cm3 e 13 hp, que aumentou o desempenho sem sacrificar o consumo. Essa versão também recebeu diversas melhorias técnicas e estéticas, tanto no interior quanto no exterior.

Em 1961 a Romi-Isetta já havia cumprido, com amplo sucesso, seu papel de indutora da industrialização automobilística nacional, que então caminhava a passos largos graças à política desenvolvimentista adotada pelo governo JK. Em 13 de abril daquele ano o último Romi-Isetta, nas cores branco e amarelo-limão, deixou a linha de montagem para entrar definitivamente na história – que agora poderá ser revivida de perto, exatos 70 anos depois de seu lançamento, no Encontro Nacional de Romi-Isettas em Santa Barbará d’Oeste. 

Serviço

Encontro Nacional de Romi-Isettas

Data: 5 de setembro de 2026, sábado

Local: Fundação Romi – Av. João Ometto, 118, Jardim Panambi, Santa Bárbara d'Oeste, SP

Horário: 9h às 15h

Entrada: Gratuita

Site: www.fundacaoromi.org.br

Instagram: @fundacaoromi

SD&PRESS Consultoria 

  

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