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A redução da Selic é um sinal positivo, mas seu efeito sobre o crédito ao consumidor — especialmente o automotivo — tende a ser limitado no curto prazo.
A taxa básica é apenas um dos componentes do custo final do financiamento. Mesmo com a queda, os juros cobrados na ponta continuam pressionados pela inadimplência, pelos custos operacionais e tributários, pela complexidade regulatória e pelas dificuldades na recuperação de garantias.
No crédito automotivo, em que o veículo funciona como garantia, a lentidão e o alto custo para recuperar ativos ainda elevam o risco e encarecem as operações. Por isso, uma redução marginal da Selic dificilmente se traduzirá, de imediato, em parcelas mais acessíveis para as famílias.
O corte ajuda a melhorar as expectativas, mas não resolve sozinho o desafio do acesso sustentável ao crédito. Para que esse alívio chegue de fato ao consumidor, o país precisa avançar em medidas estruturais que reduzam custos, ampliem a concorrência e tornem o ambiente de crédito mais eficiente.
Análise de Heverton Peixoto, CEO do Omni&Co

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