quinta-feira, 30 de julho de 2026

Vendas de pneus de passeio e carga nacionais caem 6,8% com avanço dos importados

 

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As vendas de pneus fabricados no Brasil fecharam o primeiro semestre em queda, em um cenário de avanço da concorrência de importados. Dados da Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (ANIP) mostram que as vendas de pneus de passeio, comerciais leves e de carga produzidos no país recuaram 6,8% entre janeiro e junho, na comparação com o mesmo período do ano passado.

No total, as fabricantes nacionais comercializaram 17,8 milhões de pneus nos primeiros seis meses de 2026, ante 19,1 milhões no mesmo período do ano passado. No mesmo intervalo, as importações cresceram 81,2%.

“Há um claro desequilíbrio no mercado brasileiro de pneus. O avanço das importações ameaça empregos, investimentos e a própria sustentabilidade da indústria instalada no país”, afirma Rodrigo Navarro, presidente da ANIP.

A maior queda ocorreu no mercado de reposição, principal nicho de atuação dos importados, no qual as vendas da indústria nacional recuaram 10,1%. O fornecimento para as montadoras permaneceu relativamente estável, com retração de 0,3%.

Com esse resultado, a indústria brasileira encerrou o semestre com apenas 29% de participação no mercado de reposição, ante 71% dos produtos importados. No primeiro semestre de 2021, os fabricantes nacionais detinham aproximadamente 64% desse mercado, enquanto os importados respondiam por 36%.

 


 

O avanço das importações foi especialmente expressivo no segmento de pneus de carga. Entre janeiro e junho, as importações dessa categoria cresceram 157,9%. Os produtos importados já representam 73% do mercado de reposição de pneus de carga, enquanto a participação nacional caiu para 27%.

“Os pneus importados muitas vezes entram no país com preços artificialmente baixos e, considerando o volume total reportado pelo IBAMA,  os importadores não cumprem as exigências ambientais relacionadas ao recolhimento e à destinação de pneus inservíveis”, afirma Navarro. Segundo dados do IBAMA citados pela ANIP, os importadores acumulam mais de 500 mil toneladas de pneus que deixaram de ser recolhidos nos últimos 14 anos.

A ANIP aguarda a avaliação de vários pleitos apresentados ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) para buscar um equilíbrio no mercado. 

A associação cita, como exemplo, medidas adotadas em outros mercados. O México elevou a tarifa de importação para 35%,, enquanto a União Europeia estabeleceu tarifas de até 45,3% sobre pneus importados da China.

“O mundo está intensificando as barreiras tarifárias contra pneus da Ásia para proteger suas indústrias, enquanto o Brasil segue vulnerável. Se não forem tomadas medidas urgentes, haverá desindustrialização e aumento da dependência do mercado externo, com impacto inclusive no agro, caso da borracha natural produzida aqui”, afirma Navarro.

ConteúdoInk Comunicação 

 

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